quarta-feira, agosto 01, 2012

A Última Mulher dos Vinte

Essa reflexão se baseia em minha própria vida, tal qual outras que passaram por esse Blog, mas também se baseia em estórias ouvidas, observações e confissões de amigos próximos. Eu admito que jamais achei que um padrão parecido com esse pudesse ser encontrado, e fiquei supreso ao fazê-lo.

Primeiro: diferente de outros padrões que enxerguei ao longo dos anos, este envolve mulheres, mas se refere a homens. Muitos podem achá-lo machista, mas não foi essa minha intenção, e peço desculpas antecipadamente.

Vou separar os homens em duas categorias subjetivas e, infelizmente, preconceituosas. Imaginem garotos de 27 anos (mais ou menos um ano... ou dois)... e dividam tal grupo em 2: os que acharam um caminho profissional que já aponta para o sucesso e os que não o fizeram. Minha reflexão se refere ao primeiro grupo, assim como todo o texto deste ponto em diante.

Não me pergunte por que, mas acredite em mim quando digo que, nesta fase, começa-se um namoro (vi alguns casos em que ele segue desde tempos imemoriais). Na maior parte dos casos que vi, essa mulher, "a última dos vinte", corresponde a critérios previamente idealizados. Muitas vezes o tempo de conquista foi longo e começou anos antes. Não é difícil se ver apaixonado.

O que não nos damos conta é que, nossa companheira enxerga nosso potencial... talvez até melhor do que nós mesmos. Possivelmente por já ter visto de perto casos parecidos e/ou antagônicos. Nossa auto-confiança cresce... e eu seria capaz de jurar que mulheres e cães sentem o cheiro disso!
E eis que surge a pressão pelo compromisso, por dividir uma vida, pelo casamento. Muitas vezes da própria família do garoto, que começa a se tornar homem. Não são poucas as histórias que ouvi de namoradas tentando forçar tal situação, "amarrar seu homem".

Vem, então, o que pode apenas ser chamado de a Grande Arrebentação. Muitos se casam, acreditando ter encontrado a mulher de suas vidas. Os outros, creio que a grande minoria, voltam a ficar solteiros, dedicando-se à carreira e aos amigos.

Estes passam a viver a fase de ouro da vida de um homem solteiro. O dinheiro, antes contado, começa a sobrar. Viagens, roupas, carros, apartamento... começam a ficar ao alcance de seus dedos, ainda que não possa tocar todos de uma só vez. A auto-confiança está em alta.

As mulheres à sua volta percebem que estão diante de um bom partido, e buscam um compromisso sério. Mas o rompimento com a última mulher dos 20, a que lhe deu a clara ilusão de que era a de sua vida, deixa uma cicatriz muito profunda, costurada pela companhia dos outros amigos solteiros, pelas baladas e viagens caras, que eram apenas sonhos nos tempos de faculdade.

Aqui minha experiência se esgota. Minha impressão, criada por alguns poucos relatos, é que permaneceremos solteiros até, pelo menos, os 34.

Felipe Dex: crise dos 30? Acho que não dá pra chamar isso de crise! :)

segunda-feira, agosto 01, 2011

Um monte de insônia...

Ultimamente um mal silencioso tem causado pânico nas ruas da Dexlândia... um inimigo que ataca covardemente, quando se está sozinho.E não é algo fácil de matar, como um vampiro ou um ninja. Até para ETs já há várias soluções conhecidas (pra quem não conhece o site que faz estes vídeos vale a visita!)

A insônia ataca quado nos deparamos com vários problemas que não conseguimos resolver. Algumas vezes quando já temos a solução, mas ela é difícil ou demorada.

Tomem minha palavra (acho que tentei dublar do inglês... peço desculpas, vou recomeçar!)...
Acreditem em mim, é mais difícil quando os problemas vêm de várias frentes, e têm que ser enfrentados ao mesmo tempo. As vezes tenho a sensação clara de que há tanto há fazer, que não consigo fazer nada. Paralisado.

É claro que em boa parte do tempo você consegue se ocupar, colocar a mão na massa e esquecer, ao menos momentaneamente, das montanhas figuradas que precisam ser escaladas, dos duelos que precisam ser lutados, das quedas de braço a serem disputadas. Mas então, ao final do dia, você começa a esfriar a cabeça antes de descansar. É então que seu cérebros passa pela lista de coisas a resolver, e você se lembra de tudo. Ela vem visitar: Insônia!

(alguns elementos deste último parágrafo me lembraram de uma música)

Eu confesso que os épicos são sempre inspiradores... Eu invoco a inspiração de uma entre as mais improváveis criaturas: Samwise Gamgee

It’s like in the great stories, Mr Frodo, the ones that really mattered. Full of darkness and danger they were, and sometimes you didn’t want to know the end because "how could the end be happy?" How could the world go back to the way it was when so much bad had happened? But in the end, it’s only a passing thing, this shadow; even darkness must pass. A new day will come, and when the sun shines, it’ll shine out the clearer. Those were the stories that stayed with you, that meant something, even if you were too small to understand why. But I think Mr. Frodo, I do understand, I know now. Folk in those stories had lots of chances of turning back, only they didn’t. They kept going because they were holding on to something; that there’s some good in the world, Mr. Frodo, and it’s worth fighting for.

E assim me levanto desta cadeira... olho adiante, e sigo em frente.

Felipe Dex: é engraçado como a insônia nos ajuda a enxergar algumas coisas com maior clareza. O dia  seguinte, porém, é bem mais difícil!




segunda-feira, março 15, 2010

Epitáfio

Um péssimo cachorro, mas um grande amigo.

Sammy Dex (04-jul-1996 - 15-mar-2010)

Felipe Dex: tenho certeza de que aproveitou a vida: teve 7 filhos e incontáveis aventuras...


domingo, março 07, 2010

Hedge Funds x Euro

Corsários! Especuladores! Estas são as duas palavras mais leves usadas contra os Hedge Funds após a notícia de que, durante um almoço, combinaram a queda do Euro. A imprensa, como sempre, foi ao delírio! Poucas coisas devem vender mais jornais do que provas de que Hedge Funds atacam moedas e coisas do gênero.

Você pode procurar mais coisas no google, para ilustrar esse post, deixo esse link para o Wall Street Journal.

Ninguém parou para pensar se o jantar foi para planejar a queda da moeda ou discutir a respeito de suas perspectivas. Claramente assumiu-se o pior!

Mas agora vamos olhar por outro lado: vamos, assim como a imprensa, assumir que sim, que os Hedge Funds planejaram (e estão executando com maestria) a Desvalorização do Euro. Entretanto, vamos parar e pensar: isso é bom ou ruim?

Vamos olhar e ver o que está acontecendo: a Zona do Euro está, quando comparada às outras grandes economias do mundo, se recuperando muito lentamente da crise. O crescimento no PIB Europeu ficou estagnado no último trimestre do ano passado, enquanto Estados Unidos, os Países Emergentes, outras economias desenvolvidas, etc cresceram de forma acelerada.

Lembre-se dos discursos do Serra, candidato (?) à presidência do Brasil, que vive pregando que o Real está valorizado demais. Por que isso? Porque é mais fácil crescer com uma moeda desvalorizada: é mais fácil exportar! Suas empresas se tornam mais competitivas! Seus produtos mais baratos aos olhos dos estrangeiros sem que você tenha que reduzir preços! Você atrai mais turistas, pois fica mais barato se hospedar e comer em suas terras!

Em outras palavras: para a Europa, neste momento, é bom ter uma moeda mais fraca! Isso vai ajudar os Europeus a se recuperarem da maior crise desde a Segunda Grande Guerra!!! Se os Hedge Funds efetivamente orquestraram uma queda do Euro, estão fazendo um favor à Europa!

É claro que há o lado do Euro como moeda de reserva. Mas lembrem-se que quem deixou as reservas em dólares perdeu 50% em 10 anos... Se a Europa voltar a crescer mais rápido, o Euro voltará a se valorizar.

Felipe Dex: desvalorizar a moeda e xingar a mãe são coisas diferentes!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Um Novo Capitalismo?

Muito tempo atrás, numa brincadeira mental com alguns amigos de faculdade, perguntei a eles o que ocorreria se uma empresa recomprasse todas as suas ações (através de emissão de dívida). Uma empresa sem capitalistas... como esse "bicho" se comportaria.

Lembrei desse pensamento esse mês, quando vi os números de final de ano da Goldman Sachs (grande - talvez o maior - banco de investimento dos EUA/Mundo): em 2009 o banco terá lucros de US$ 6,5 bi (se não me falha a memória). Parece uma cifra impressionante, a não ser se comparada com o valor separado para pagamento de bônus aos funcionários: US$ 21 bi (de novo, valor aproximado). Ou seja, do lucro antes do bônus, mais ou menos 3/4 (76%) serão entregues aos funcionários!

Daí faço a pergunta: no sistema capitalista, o capitalista (dono das ações) não deveria ser melhor remunerado que seus funcionários? Afinal de contas, com quem está o poder sobre a empresa?

É exatamente aí que "a porca torce o rabo": o maior acionista da Goldman é a Berkshire Hathaway, de Buffet, com 8,5% da empresa. O segundo maior acionista possui 4,6% do controle, o terceiro 4,4%. A verdade é que, nenhum acionista individualmente é grande o suficiente para interferir no controle da empresa!

E isso não é uma característica apenas da Goldman. O Citigroup também era assim (hoje o Governo dos EUA possui 34% do capital), assim como inúmeras outras empresas. A verdade é que o CEO, apesar de eleito pelos acionistas, possui um poder enorme sobre sua empresa.

Bem vindos à era do Capitalismo Intelectual!

Felipe Dex: a única certeza é a mudança!

segunda-feira, novembro 16, 2009

27 Anos...

Nessa sexta-feira 13, treze dias depois do Dia das Bruxas, eu completei meus primeiros 27 anos de vida. Não que o calendário em si traga algum significado (e serei sempre o primeiro a dizer o contrário), e também não foi uma sensação vinda da noite para o dia...

A verdade é que, de um tempo para cá, começo a me sentir mais maduro, mais tranquilo. Ficou mais fácil enxergar coisas que antes estavam fora do alcance dos meus olhos. O fato é que, apesar de ter certeza de que meu pouco mais de quarto de século ainda é pouco, o caminho que andei me deu experiência, em uma intensidade só obtida após ver situações se repetirem dezenas de vezes diante de meus olhos.

Acho que uma coisa que me fez enxergar que estou vendo o mundo de maneira diferente foi treinar um estagiário (que está virando analista agora). Ouvir dele que aprendeu muito comigo foi um pouco chocante... fez "cair a ficha", mas mais do lado profissional...

Então, quase que como uma mensagem com destinário certo, na minha festa de aniversário, ontem, comecei a rir quando uma menina disse "eu já tenho 18 anos...". Não foi por maldade ou arrogância... eu também já usei essa frase quando tinha a idade dela.

E sabendo de tudo que passei nos últimos 9 anos, tudo que aprendi, todos que amei, todos que odiei, todas as viagens, os lugares, as pessoas, as ruas, as conversas, os desabafos, as cervejas, as vodkas e ate mesmo as champagnes... todos esses momentos passaram diante de meus olhos em um flash... e sorri como quem olha para uma criança brincando, tendo apenas eu a consciência de que ela ainda tem uma vida inteira pela frente.

Aqueles que dizem que o tempo passa rápido devem ser malucos. E isso ficou claro pra mim ao perceber quantas coisas aconteceram em 9 anos... ao perceber como mudei nesse tempo todo.

Felipe Dex: mas nada de acomodação... continuo sentindo que minha vida está passando por grandes mudanças... rumo a uma década de maioridade e de São Paulo.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Filme Sobre a Crise

Começou com uma piadinha no escritório...
Aqueles que sabem como fazer essas coisas precisam perdoar o paintbrush, mas é o que eu sei usar!


Felipe Dex: e ainda por cima sou fã dessa mulher!

sexta-feira, maio 22, 2009

The Fall of the Mighty Fed (A queda do poderoso Fed)

Todos os que tem acesso à internet neste planeta já ouviram falar da crise que está ocorrendo. Excessiva alavancagem (de bancos e consumidores), consumo desenfreado, riscos mal controlados. Apesar disto também ter ocorrido na Europa, o núcleo sem dúvida está nos Estados Unidos.

Quando a verdade foi aceita pelo consenso do mercado, ocorreu o inevitável: o sistema financeiro dos Estados Unidos caiu como um castelo de cartas. Ele inteiro teria virado pó, se não fosse por um zeloso guardião, o Federal Reserve, o Fed.

Junto com o Tesouro dos Estados Unidos, tudo o que podia ser feito para salvar o sistema financeiro e manter o Status Quo foi feito; está sendo feito. Trilhões de dólares injetados. Acionistas diluídos, mas não expulsos. Controladores repreendidos, mas mantidos em seus lugares. As cartas foram coladas com durex e o castelo não desabou. Os mercados respiraram aliviados e as bolsas subiram 20, 30% em 2 meses, aos olhos incrédulos de muitos, inclusive os meus.

Tudo aquilo não parece estar certo. É bom demais pra ser verdade. "O mercado foi puxado pelos cabelos", "os bancos americanos são zumbis", "o Fed está apagando o fogo com gasolina". Todas estas frases fazem muito mais sentido do que "a crise acabou" e "começou um novo bull market". Tenho medo, e muitos comigo, que o wishful thinking tenha predominado. Uso a expressão em inglês pois é difícil traduzí-la. Trata-se de um estado mental em que se acredita que o desejado se tornará realidade, sem perceber os obstáculos, por vezes intransponíveis, pelo caminho.

Para tirar a economia yankee do buraco o Fed está usando uma estratégia inovadora. É preciso gerar inflação, para isso, imprimir dinheiro faz sentido. Porém, normalmente, isso faz com que as taxas de juros de longo prazo subam, segurando consumo e investimentos. Com um bom background acadêmico, o Fed está imprimindo dinheiro como outros já tentaram, mas comprando os títulos de seu próprio Tesouro para impedir que as taxas de juros subam. No papel parece muito bom.

Mas alguns estranhos sinais começam a aparecer. Apesar de o Fed estar comprando os papéis, a curva de juros está abrindo. A demanda pelos títulos da maior economia do mundo parece desejar um prêmio maior para se expor ao risco soberano estadunidense. E nos dias de maior queda do mercado de ações, quando os papéis do tesouro normalmente subiam, eles começaram a cair, junto com a bolsa. Hedge Funds começam a testar posições vendidas em tais títulos (posições que ganharão dinheiro se a taxa de juros aumentar ainda mais e perderão caso contrário).

Muitos economistas e investidores passaram a acreditar que os Estados Unidos não terão escolha senão permitir que a inflação chegue a 4 ou 6% ao ano (o target do Fed é 2% a.a.), e se isso for verdade, a taxa de juros yankee não será menor que 3% ao ano. Mas isso pode se tornar muito mais que um simples play de convergência de taxas de juros...

Há um desafio aqui. O mercado acha que o Federal Reserve, o mais importante Banco Central do mundo, não é forte o suficiente para segurar as taxas de juros. E essa linha de raciocínio nos leva a um único lugar, tão conhecido por nós brasileiros (e por alguns países asiáticos): uma desvalorização grande da moeda, apelidada pelo mercado de "deval". Sim, estamos falando de um Ataque Especulativo contra o dólar.

Ao contrário do que a mídia prega por aí, Ataques Especulativos não são planejados por Le Chiffres (wikipedia) por aí, em salas escuras, nem por George Soros. São um impressionante fenômeno bottom-up.

Grandes países credores (por exemplo a China) começam a questionar se seus recursos deveriam estar concentrados nos Estados Unidos. Hedge Funds enxergam a oportunidade de captar dinheiro a 2 ou 3% ao ano por 10 anos em uma moeda sem muito potencial de apreciação e alocar esse capital, por exemplo, em títulos do Brasil (país com moeda forte e grandes reservas) a uma taxa de 10% ao ano. Ou até mesmo em coisas mais arriscadas, como a bolsa, onde esperam um ganho maior. Pequenos investidores estrangeiros ficam receosos de comprar tais títulos também. O resultado é uma pressão pela queda dos preços dos títulos do tesouro (aumento da taxa) e do próprio dólar. É contra essas forças que o Fed está lutando.

Por que isso não ocorreu no Japão? Há uma grande diferença entre Japão e Estados Unidos em suas respectivas crises: a dívida japonesa é financiada pelos próprios japoneses. Eles não vêem problema em comprar títulos de seu tesouro mesmo a taxas baixas. Suas vidas são vividas em Yens. Se as taxas de outros países são atrativas, podem alocar parte de seus recursos, por exemplo, nos Estados Unidos, quer dizer, se a moeda deles não se depreciar...

O povo estadunidense não é credor de seu governo. Na verdade graças aos pacotes, está exatamente no pé contrário, deve dinheiro ao tesouro e aos bancos que dele dependem. E os credores dos Estados Unidos são os grandes bancos centrais (China, Rússia, Japão, Brasil - sim, somos o 5ª maior BC em volume de dívida dos EUA - entre outros), além de empresas, pessoas, e até mesmo Hedge Funds por todo o mundo. E todos esses credores, neste momento, estão olhando para os grandes déficits, a impressão desenfreada de moeda e a fraqueza da maior economia do mundo e pensando se seu dinheiro está seguro lá.

E o que pode acontecer é exatamente uma corrida bancária. Se muitos investidores começarem a acreditar que o Fed terá que desvalorizar o dólar para poder quitar suas dívidas e empurrar sua economia, o segundo pensamento será: "é melhor ser o primeiro a sair!" Este é o início do Ataque Especulativo.

O Fed está em uma posição ruim. Ele não pode deixar que a taxa de juros suba, pois a situação econômica dos EUA pioraria. Ele poderia tentar, em um intervalo curto de tempo, comprar uma grande quantidade de títulos, forçando aqueles em posições vendidas a saírem delas de modo a limitar suas perdas. Mas isso afugentaria compradores, pois a taxa de tais papeís ficaria menos atrativa. Ademais, se gastar muita munição em um tiro só e errar, se as posições vendidas forem pequenas ainda, o feitiço pode se virar contra o feiticeiro, pois os compradores serão assustados e os vendedores atraídos como mariposas para a luz.

E quanto mais claro isso ficar, maior a chance de acontecer. Sim, o fenômeno é auto-catalítico, e a primeira peça do dominó parece ter sido empurrada. As conseqüências deste evento? Difíceis de imaginar, mas as poucas coisas que me passam pela cabeça não são nada agradáveis.

"Now (...) mankind stands at the shores of destiny, and awaits the coming of the Tides of Darkness" (Youtube).

Felipe Dex: apertem seus cintos e verifiquem seus pára-quedas. Podemos ter turbulência pela frente, e o avião já perdeu 2 dos 4 motores.

terça-feira, março 24, 2009

Falta Homem no Mercado?

Muitas amigas minhas reclamam que falta homem. Muitos amigos meus comentam que as mulheres estão indo mais a luta que no passado. Impressão ou realidade?

A pergunta que vem à cabeça: será que existe um desequilíbrio entre as populações masculina e feminina? Eu tentei respondê-la testando, com números reais ou bons chutes, algumas teorias...

Visão 1: existem muito mais mulheres que homens

(Algumas considerações sobre este tipo de análise: nascem mais homens do que mulheres - é verdade - entretanto, a taxa de mortalidade masculina - ao longo de toda a vida - é maior. Com os dados do senso de 2000 da população urbana do estado de São Paulo: entre 0 e 4 anos, existe 0,97 mulher para cada homem, entre 13 e 15 anos esse número se aproxima de 1 para 1. Aos 35, existem 1,08 mulheres para cada homem, acima de 60 anos, 1,32 para cada um.)

Estou lidando com a minha realidade: usando os dados do censo de 2000 das pessoas entre 10 e 24 anos, lembrando que hoje estas pessoas têm entre 19 e 33 anos (tenho 26). Existem um problema com a conta que estou fazendo: sei que nesses 9 anos morreram mais homens que mulheres - dentro desta amostra - mas não estou fazendo nenhum ajuste. Nesta população existe 1,0034 mulher para cada homem, ou seja: para cada 10.000 homens há 10.034 mulheres. 

A diferença é nula. A "visão 1" foi um grande fracasso.

Visão 2: o número de homossexuais desbalanceia a proporção

Mas talvez não devamos procurar a desproporção nos números simples de homens e mulheres, e sim apenas na população heterossexual. Não tirei isso da minha cabeça: ouço muitas amigas minhas dizendo, em tom de brincadeira, que "tem tanto gay que falta homem".
(Nota: não tenho nada contra a opção sexual de ninguém. Minha intenção aqui é unicamente verificar se existe um desbalanço entre a quantidade de homens e mulheres que buscam relacionamentos heterossexuais).

Achei duas estatísticas soltas para o Brasil: uma na IstoÉ, dizendo que 10% dos brasileiros são homossexuais¹ e outra - num artigo da Igreja Renascer - dizendo que apenas 0,5% dos assassinados são gays. (A segunda na íntegra: "... movimento gay declara que o número de homossexuais na população brasileira atinge o percentual de 10%, enquanto que o percentual de assassinatos [de homossexuais] atinge menos de 0,5 por cento [do total de assassinatos]."²).

Honestamente: a divergência entre os dois números é muito alta, não sei como perguntam aos mortos quais suas preferências sexuais e a IstoÉ pode ter acreditado num número gigante pois sua reportagem talvez quisesse fazer um oba-oba com o crescimento de serviços focados neste público. Os números não são críveis.

Procurei números para os EUA e outros lugares do mundo³. Algumas coisas interessantes: há mais homossexuais nas grandes metrópoles (chegando a 15% em São Francisco, 6% em Nova York), a média nacional (dos EUA) girando em torno de 4% (os números divergem muito, acreditei nesse). Vamos trabalhar com algo entre 6 e 8% para a cidade de São Paulo (não! não há fonte! é um chute! mas pelo menos houve um ponto de partida!).

Bom: se 7% dos homens e 7% das mulheres forem homossexuais, a proporção (entre heteros) continua em 1 para 1. Só há efeito se o número de gays for maior que o de lésbicas. Apesar disso fazer certo sentido na minha cabeça, vou procurar algum número. Naquela fonte número 3, há os seguintes dados soltos:
- Austrália, 2003: 1,6% dos homens são gays e 0,8% das mulheres são lésbicas (2 x 1);
- Canadá, 2003: 1,3% gays, 0,7% lésbicas (quase 2 x 1), notadamente, havia mais mulheres bissexuais (0,7% dos homens x 0,9% das mulheres - mas acho que isso é assunto pra outro post).

Gostei desses números porque tratam de pessoas que se definiram como gays ou lésbicas (os números de pessoas que "tiveram uma experiência" são bem mais voláteis). Vou adotar esse 2 x 1.

Vamos então fazer a conta de proporção com 7% de homossexuais e 2 vezes mais gays que lésbicas. Estamos falando em 9,3% dos homens e 4,7% das mulheres. Com esses números, a proporção (entre heterossexuais) passa para 1,06 mulheres para cada homem, ou seja, para cada 10 mil homens existem 10.551 mulheres. Se a proporção de homossexuais na cidade de São Paulo for 10% (mantendo os 2 x 1), teremos 1,08 mulheres para cada homem: 10.800 mulheres para cada 10 mil homens.


Os dados da Visão 2 mostram que existe impacto, mas não é aquele impacto significativo que procurávamos (a não ser que você ache que São Paulo é como São Francisco! Teríamos 1,13 mulheres para cada homem: 11.300 mulheres para 10 mil homens!).

Visão 3: mulheres gostam de caras mais endinheirados

Consigo imaginar os narizes torcidos de minhas leitoras (se é que tenho leitoras...). Entretanto, minha idéia não foi tirada apenas do cancioneiro popular. Achei rapidamente pelo menos uma pesquisa (meio fajuta, é verdade) comprovando isso:

Os dados de participação das classes sociais na população do Brasil que achei separam a amostra apenas em classe AB, C e DE, mas creio que para nosso ensaio isso é mais que o suficiente. Notadamente: http://www.tudonahora.com/noticia.php?noticia=11045

Bom, se isto for verdade, poderíamos imaginar a seguinte situação:
- Mulheres da classe AB consideram apenas homens da classe AB como possíveis parceiros.
- Mulheres da classe C consideram apenas homens da classe A, B e C como possíveis parceiros.
- Homens da classe AB consideram como possíveis parceiras, mulheres das classes A, B e C.
- Homens da classe C consideram como possíveis parceiras, mulheres das classes C, D e E.

Há um fator importante que está destacado na notícia: a classe C cresdeu de 36% para 46% em um intervalo curto de tempo. No mesmo período, o tamanho da classe AB caiu de 18% para 15% da população. Isso faz com que esse indicador tenha acelerado seu impacto na nossa análise, potencialmente criando a sensação (entre as mulheres) de aumento da falta de homens. Vamos aos números:
- Assumindo que os homens da classe AB dispõe-se a relacionamentos com mulheres das classes A, B e C (mas as mulheres apenas com homens de classe igual ou maior): havia 3 mulheres para cada homem e, com a melhora da distribuição de renda, agora há 4 mulheres para cada homem.
- As coisas pioraram para os homens da classe C: de 2,3 mulheres por homem antes para 1,85 mulheres por homem agora.
* Um exemplo da conta feita é: Mulheres/HomemAB = (MulheresAB + MulheresC)/HomensAB

A visão 3 é a mais coerente com uma falta crescente de homens no mercado nos últimos anos. Talvez os efeitos reais não sejam tão alarmantes como os números de 3 x 1 ou 4 x 1 (no mundo real as pessoas não tatuam suas classes sociais na testa). Entretanto, a tendência demonstrada é nítida.

O Cenário Negro (para as mulheres): Visão 2 + 3

Desespere-se leitora! Sorria leitor! Eu acredito que esta é a conta que deve ser feita. Somar os impactos da opção social com os da opção sexual. Dadas as intensidades dos movimentos,  a desproporção entre gays e lésbicas serviu como um catalisador do movimento social.

- Para os homens da classe AB, a proporção foi de 3,2 mulheres/homem (antes da melhora nos níveis de desigualdade social) para 4,4!
- Para os homens da classe C, de 2,5 para 2,0.
- Os homens de classe D e E sofrem nessa nossa conta: porque as mulheres a que têm acesso são também disputadas pelos homens da classe C.  Aqui a proporção é de 2 homens para cada mulher!

Um amigo meu diz que chegará o dia em que as mulheres tomarão a iniciativa muito mais do que os homens. Talvez esse dia esteja chegando...

Felipe Dex: os números não mentem (só quando corretamente torturados)! A internet, assim como o papel, aceita qualquer coisa! Ainda assim, acho os números verdadeiros, apesar de chocantes (e me diverti mais do que imaginava escrevendo post!).

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Produto com selo de qualidade

Eu sempre digo que o mundo é o lugar mais psicodélico que o mundo pode oferecer (apesar de não ser o autor da frase). Bom... isso de alguma maneira se virou contra mim:


Duvida? http://www.periproducts.co.uk/retardex.asp

Felipe Dex: será que posso cobrar royalties?

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Uma razão para postar

Há algum tempo me sinto incomodado por não escrever no blog. É algo que sempre gostei de fazer, mas talvez alguma estranha desmotivação com o mundo (tente viver 12 meses estressado com a crise). Venho, então, procurando um motivo para voltar... achei um!

Foi erguido, no Iraque, um monumento em homenagem ao jornalista que atirou um sapato no Bush. Fica em Tikrit, a 180km de Bagdá. De repente, até fiquei com vontade de visitar o Iraque e tirar uma foto com o sapato.




Felipe Dex: talvez um dia esse monumento seja esquecido. Talvez se torne um marco.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Imagem do Ano

Felipe Dex: se as coisas estivessem um pouco mais fáceis ainda estariam longe de perder a graça.


quarta-feira, setembro 17, 2008

O Mundo Mudou?

Seis (talvez sete) bilhões de pessoas andam por aí... a maioria delas sem saber exatamente sequer o que era a Bear Stearns, ou a Lehman Brothers, ou a Merryl Lynch. Ou ainda, que raios é um hedge fund? O que é essa indústria de Crédito, Investimentos, Fusões e Aquisições? E por que deveriam se preocupar com isso?

Infelizmente nosso sistema educacional (e não me refiro só ao brasileiro) acha que é mais importante que nossas crianças aprendam que nosso coração tem quatro cavidades ou que a aceleração da gravidade é 10m/s² do que sobre o Sistema Financeiro, este sim, um dos grandes (senão o maior) pilares do Capitalismo Contemporâneo.

O sistema econômico em que você vive é tão importante quanto a comida que você come. Na verdade, ele é a comida que você come. É ele que diz quanto você vale e quanto sua comida vale. É o sistema econômico que cria a cadeia de valores monetários que sustenta uma sociedade. Qualquer historiador concordará comigo que não há Cultura sem Economia ou Economia sem Cultura.

Os chamados Bancos de Investimento (juntamente com os Hedge Funds - termo que me nego a traduzir) são os centros de tecnologia de ponta do nosso Capitalismo Financeiro. São como Caravelas em 1500 ou o Projeto Manhattam em 1945. Eles estruturam, compram e vendem e fornecem liquidez a milhares de tipos de ativos e derivativos. Possibilitam e facilitam grandes transações entre empresas e investidores ao redor do mundo. Permitem que produtores agrícolas do mundo inteiro se protejam de oscilações nos preços daquilo que plantam. E permitem que a precificação disso tudo seja razoavelmente eficiente.

Pois bem. Na década de 90 os Bancos de Investimento viviam de corretagem, uma pequena percentagem do volume negociado por seus clientes, e de negócios em finanças corporativas (emissões, fusões, aquisições). Como manda a bíblia, eles cresceram e se multiplicaram. Criaram grandes estruturas de análise, tanto de ativos/derivativos quanto de deals. Neste ramo da economia só há um ativo primordial: informação. Então quando digo "estruturas de análise" leia "equipes de analistas". E analistas, ao contrário de peões de fábrica, não são baratos.

Crescer não é problema. Multiplicar é. Com o tempo, o aumento da competição no setor levou à uma queda das margens. Focadas em lucro, estas instituições abriram seu leque de atuação, indo rumo a Private Equity (investimentos em empresas não listadas em bolsa) e Crédito. E, talvez seja da natureza humana: períodos de crescimento e otimismo prolongado relaxam os controles de risco, inclusive os de crédito.

No início de 2007 já se falava da bolha imobiliária nos Estados Unidos, do quanto os consumidores estadunidenses estavam alavancados e de quão caras estavam ficando as commodities. Lentamente, estruturas de crédito consideradas seguras começaram a falhar. Em abril ou maio dois fundos de crédito da Bear Sterns quebraram. A partir daquele ponto, era possível enxergar as nuvens negras no horizonte. Muitos enxergaram chuvas ou tempestades. Acho que ninguém enxergou o furacão.

Hoje já é possível enxergar algumas coisas com maior clareza. A primeira delas é que os fornecedores de crédito levarão tempo considerável para avaliar suas perdas e recuperar seus balanços. Há pouquíssimo crédito no mundo. Estamos falando de anos, não de meses.

Achar que uma crise financeira deste tamanho não afetará a economia real é apenas wishful thinking. O mundo inteiro pode estar à beira de uma depressão. Mas não é só isso...

Estamos presenciando um evento que talvez ocorra a cada 500 anos: a derrocada de um importante pilar do sistema econômico dominante. Vi no jornal hoje um artigo comparando a queda de Lehman e Merryl com a queda das torres gêmeas em 2001, e acho que a comparação é adequada.

Não sei se por acaso ou não, mas outros paradigmas de poder econômico e organização social emergem nesse exato instante. Estou sim falando de Rússia e China.

Um historiador famoso disse que é muito difícil aos olhos contemporâneos enxergar as grandes mudanças históricas, que normalmente só são vistas claramente depois de 50 ou 100 anos. É possível sentir que os ventos da mudança sopram. É muito difícil saber para que lado eles apontam.

Felipe Dex: impatiente makes fools of us all. O fio que segurava a Espada de Dâmocles se partiu.

domingo, agosto 31, 2008

Infecção no Marketing Viral

Ontem eu fui em uma famosa balada eletrônica em São Paulo, chamada D-EDGE. Gosto bastante de lá, apesar de sentir saudades de quando ia lá 4 ou 5 anos atrás, tenho a impressão de que o público e a música eram melhores. Mas não é sobre isso que eu quero falar.

Logo que se entrava, à direita, havia um simulador de corrida de Fórmula 1: um cockpit vermelho com o equivalente a 3 telas de computador. Tinha volante e tudo. No alto, o logo da Marlboro.

Como sou meio game-maníaco, fui perguntar como fazia pra jogar. O cara no balcão perguntou: "Você fuma?". Respondi que não. "O jogo é apenas para fumantes." Dei de ombros e fui curtir a balada.

Na balada estava com um velho amigo, e comentei com ele, que o Marketing Viral da Marlboro era perfeito. Na minha opinião, pessoas inseguras começam a fumar para se sentirem parte do grupo. E o conceito foi muito bem aplicado ali: se você fuma, pode jogar, você é parte do clube! Se você não fuma, está fora. Realmente achei uma bela campanha (não, não vai me fazer fumar!)!

No caminho para a saída, dou uma nova olhada no estande (era efetivamente um estande). E reparo uma coisa: havia um daqueles logos que o Ministério da Saúde obriga as companhias a colocarem em suas propagandas. A regulamentação deve dizer que a propaganda contra o cigarro deve estar em proporção, pois devia ter o tamanho de um papel A3, era bem visível. E era o aviso de que o cigarro causa impotência. Só mais um problema: quando se olhava, o aviso sobre impotência ficava bem acima da cabeça do cara que estava jogando.

Vamos rever algumas coisas:
1. O cara que está sentado no cockpit jogando fuma (é um pré-requisito para jogar)!
2. O cigarro causa impotência (e há um grande lembrete exatamente sobre a cabeça dele)!
3. O cara está num joguinho, em vez de procurar mulheres na balada!

Tirem suas próprias conclusões!!! É o Marketing Viral mais queima-filme de todos os tempos!

Felipe Dex: depois de ter bebido alguma coisa (lógico), e ao ter essa epifania, não resisti e comentei com uma das garotas-propaganda (que estava num macacão da Marlboro). Ela começou a rir muito, e imediatamente contou pro cara do lado dela.... também num macacão! Agora vamos ver quanto tempo dura esse viral.....

domingo, agosto 17, 2008

Uma Teoria da Conspiração

Estava eu, em meu sofá, assistindo um filme ruim na TNT e lendo o jornal de hoje (na internet, acho melhor do que comprar o em papel), quando dou de cara com essas duas noticias:

Funcionário de Embaixada do Vietnã seqüestrado no Rio escapa de cativeiro
Funcionário de embaixada sofre seqüestro no Rio

Vou resumir a historia que li antes de chegar nas minhas conclusões conspiratórias: um alto membro do consulado do Vietnã no Rio de Janeiro foi sequestrado por traficantes. Os traficantes usavam mascaras "ninjas" e insígnias da Policia Civil. O sequestrado estava com seu pai e irmão no carro, mas apenas ele foi levado, na manha do dia 16 de agosto. O cativeiro ficava em um morro, no meio da favela. No dia seguinte, antes do anoitecer, ele já havia escapado e estava em um hotel. A policia não disse como ele escapou, mas disse que ele escapou, não que foi resgatado!

Agora, você pode acreditar em uma das versões abaixo:

1. O traficante que guardava o cativeiro bebeu um pouquinho a mais do que devia, esqueceu o cativeiro aberto e foi curtir uma balada no baile funk mais próximo. Numa cena típica de uma comédia, o vietnamita disse: "ola? tem alguém ai?". Ninguém respondeu e ele saiu correndo.

2. Depois de uma reunião "rápida", e alguma pressão psicológica, entre o vietnamita e alguns chefões do CV, nosso amigo ganhou uma "carona pra casa".

3. No melhor estilo 007 (assobie a musica enquanto lê), Vu Than Nam usa o filamento de uma das lâmpadas para destrancar a porta. Ele encaixa os cacos de vidro entre os dedos e derruba o primeiro traficante com um soco no pescoço, deixando uma grande poça de sangue no chão. Tomando a arma dele, com 4 tiros e uma voadora, ele derruba e mata os 5 outros traficantes, que nem vêem o que esta ocorrendo. Ele pega um dos carros do local, e dirige para sua salvação debaixo de uma chuva de balas de fuzil.

Apesar de, do ponto de vista estético, minha favorita ser a terceira, a que me parece estar mais próxima da realidade e a segunda. Mas, em vez de focar em todo o folclore, fiquei me perguntando o que isso significa. Rufem os tambores, meu palpite (e teoria da conspiração) esta no paragrafo abaixo:

O Sr. Vu Than Nam eh um "hardcore commie" (assistam Dr. StrangeLove!), e o Vietnã esta vendendo armas para os traficantes brasileiros! E olha que eu ate tinha alguma simpatia pelo pais.

Felipe Dex: ou eu sou um maluco que fica tentando enxergar conspiracoes ou eu realmente consegui pegar um vietnamita de calcas curtas.

quinta-feira, julho 24, 2008

Língua de Fora

Recentemente me caiu a ficha que já faz mais de um ano que minhas férias se foram. Minha produtividade caiu a níveis alarmantes (até o blog ficou largado!). Todas as manhãs tenho lutado pra me arrastar pra fora da cama, mesmo depois de ficar apagado a noite inteira.

Um ano pode parecer pouco tempo pra já se sentir destruído, mas porque você está pensando em 8 horas por dia. Tente 10-12 horas/dia... com erro sempre para cima (você nunca vai sair em 8, mas pode sair em 15, ou como aconteceu: 33!). Adicione um fim de semana inteiro (12 horas/dia) e mais pedaços de muitos outros!

É... o texto parece trágico, e eu odeio fazer papel de vítima. Então vou partir dessa narrativa melosa para mostrar algo que está me ajudando a... relaxar... admito que há um certo grau de sadismo envolvido no processo, mas enfim, fiquei meio viciado nesse joguinho:

http://clickjogos.uol.com.br/Jogos-online/Esportes/5-Finger-Fillet/

Àqueles que quiserem tentar, consegui 47 facadas certeiras (admito que esse resultado é um pouco trapaceado), jogando seriamente algo como 18. Muito bom!

Felipe Dex: também consegui zero! O jogo pergunta: "Você é cego?" Eu respondo: "Ah! Mas eu acertei todos!!! Não errei nenhum!"

domingo, junho 15, 2008

Ironias de um Sábado à Tarde

Esse post começa de um jeito não usual: dá até a impressão de que este blog é um diário (e não é! não se engane!)... mas foi preciso contar a historinha!

Mais ou menos uma vez por mês, sempre no sábado, eu preciso cortar o cabelo. Corto num lugar razoavelmente perto de casa, uns 20 minutos andando. Como sempre saio de casa em cima da hora, pego 1 ônibus (e ando 1 ponto) ou o metrô (e ando uma estação). Tem um caixa eletrônico no caminho, que normalmente me salva em emergências...

Normalmente... não foi o caso deste sábado. Saí de casa com R$ 2,00 na carteira (não, não dá pra usar transporte público em São Paulo com isso!). O tal caixa eletrônico estava sem dinheiro. Andei até um mais distante, o que me fez chegar atrasado... mas esse não é o ponto! Saquei o dinheiro... a menor nota: R$ 20!

Andei até o ponto. Entrei no ônibus. O cobrador não tinha troco, então não paguei pela viagem.

Felipe Dex: precisei mostrar que tinha dinheiro para não pagar nada! O mundo é muito nonsense!

sexta-feira, maio 30, 2008

Frase do dia

Ouvida de um taxista, no caminho pro trabalho: "Esse país é bom mesmo! Há 500 anos sendo roubado e ainda assim funciona razoavelmente bem!"

Felipe Dex: a vida como ela é...

domingo, maio 25, 2008

Rise Lord Malthus!

Por toda parte, em todo o mundo, preços estão subindo. Petróleo, grãos, metais. Não é a primeira vez que isso acontece na história. Muitos já gritam a pulmões cheios que os mais pobres são os mais prejudicados pelo movimento, com a comida mais cara.

Pelo que ando lendo, movimentos nos preços de commodities tendem a acontecer ciclicamente. Cada ciclo leva décadas, e finda com uma grande correção dos preços, uma mudança de patamar.

Thomas Malthus é famoso pelo principio de que a população cresce exponencialmente enquanto a produção de alimentos cresce aritimeticamente. Como texto completo, ele argumentava que, uma vez que os meios de produção progridem, permitindo mais alimentos, a população cresce, uma vez que os indivíduos percebem mais alimento disponível.

Aparentemente esta tem sido a tendência pelo menos do sistema capitalista nos últimos séculos. Mas há de se perguntar (e pergunto quanto sou influenciado pelo momento ao dizer isso) se existe um limite de população que o planeta é capaz de suportar.

Pela primeira vez, os aumentos de preço não estão criando aumentos na oferta (o petróleo é o caso mais claro disso). Os estoques de grãos (sei que isso é verdade para o trigo) estão em seus menores níveis históricos (medidos em dias). Podemos estar a um passo de um colapso sistêmico.

Felipe Dex: espero que possamos eliminar as possibilidades mais obscuras. Se Malthus estava certo, tudo vai se normalizar em poucos meses ou anos (menos o petróleo).

quarta-feira, maio 07, 2008

Eu tenho coisas sérias guardadas para postar, mas...

Eu estou com dois títulos gravados nos rascunhos, de posts que precisam ser escritos (faço isso pra não esquecer o que quero escrever). Mas esse post é totalmente fútil, porque a vida não é feita só de coisas sérias!

Costumo seguir uma quase filosofia de vida: "agregue psicodelia à sua vida clicando nos links bizarros que aparecem na homepage do seu provedor de internet". O meu é o UOL. Bem... eu não acredito em astrologia, mas fiquei curioso com o link Astrologia: Saiba que presente agrada a mãe de cada signo. Como sou de escorpião, fui direto nesse signo... e dei de cara com o seguinte texto (sic!):

Escorpião - Roupa íntima, óculos escuros, livros e objetos tratando de ocultismo, mistério, psicologia, ufologia, almoço ou jantar em restaurante exótico.

Infelizmente tenho a capacidade de formar rapidamente imagens mentais. E essa não foi nada agradável...

Felipe Dex: minha mãe é de Câncer... senão ganharia um espartilho e uma cópia do Necromicon!!!